Dólar opera em queda após salto na véspera, mas segue acima de R$ 5,60


Na segunda-feira, moeda norte-americana fechou a R$ 5,635, maior cotação desde maio. Notas de dólar
Reuters
O dólar opera em queda nesta terça-feira (29), após ter saltado na véspera, refletindo a cautela dos investidores internacionais antes do primeiro debate presidencial dos Estados Unidos, enquanto que temores fiscais continuavam a dominar a cena doméstica.
Às 9h41, a moeda norte-americana recuava 0,33%, cotada a R$ 5,6171. Na abertura, operou em alta e chegou a R$ 5,6572. Veja mais cotações.     
Na segunda-feira, o dólar fechou em alta de 1,42%, a R$ 5,6358 – maior valor de fechamento para o dólar desde 20 de maio (R$ 5,6875). Com o resultado, passou a acumular alta de 2,82% no mês e de 40,55% no ano.  
O Banco Central informou que iniciará na quarta-feira (30) a rolagem de 130.890 contratos de swap cambial com vencimento em 3 de novembro de 2020, num total de US$ 6,5 bilhões, segundo a Reuters.
Mercado reage mal ao anúncio do Renda Cidadã pelo governo
Incertezas locais
A forte alta na véspera ocorreu em meio a péssima repercussão das medidas para financiar o novo programa social do governo, batizado de Renda Cidadã. Após as reações do mercado financeiro e no mundo político, assessores próximos do presidente Jair Bolsonaro começaram a defender uma mudança no programa, segundo informa o Blog da Ana Flor.
Para especialistas em contas públicas, a proposta de rolar o pagamento de precatórios – despesa obrigatória do governo com dívida pública judicial – para financiar um novo programa social foi uma ruptura, uma sinalização do abandono do compromisso fiscal. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) divulgou parecer em que classifica como inconstitucional a proposta.
A corretora Necton, por exemplo, revisou sua projeção para o dólar de R$ 5,90 para R$ 6,00 no fim de 2020. “A manobra em relação aos precatórios e a reação do mercado de maneira geral evidenciam que o espaço fiscal se exauriu. Dado que o governo não pode interromper o Auxílio Emergencial sob pena de jogar a economia numa desaceleração econômica e levando em conta que não há espaço para se cortar mais gastos uma vez que a demanda por serviços públicos irá aumentar em decorrência da crise, temos assim um impasse que não será resolvido”, avaliou o economista André Perfeito.
Cena externa
Na cena externa, permanece a cautela em meio às preocupações com o avanço do coronavírus e ritmo de recuperação da economia global.
Na Europa, a confiança econômica da zona do euro melhorou mais do que o esperado em setembro, graças principalmente a um aumento no otimismo do setor de serviços apesar das preocupações com uma segunda onda do coronavírus. A pesquisa mensal da Comissão Europeia mostrou que o sentimento nos 19 países que usam o euro subiu a 91,1 pontos este mês de 87,5 em agosto, superando as expectativas do mercado.
O Banco Mundial afirmou nesta terça que a pandemia de coronavírus deve levar a região do Leste Asiático e Pacífico, bem como a China, a registrar o crescimento mais lento em mais de 50 anos, enquanto até 38 milhões de pessoas serão levadas à pobreza. O banco afirmou que a região deve crescer neste ano apenas 0,9%, taxa mais fraca desde 1967.
Variação do dólar em 2020
G1
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